quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Experiência no Fenway Inn Hostel

Nunca tinha vivido a experiência de ficar num Hostel antes, embora já tenho ouvido muitas pessoas contarem das suas experiências...

Após a minha chegada a Boston e ainda sem casa/quarto alugado, fiquei no Fenway Inn Hostel durante 4 noites. Era a opção mais barata e ainda assim paguei uma média de 50$ por noite, com pequeno almoço. 

Localização do Hostel. Muito bem localizado!
E a Sephora logo ali ao lado (só existem duas no total em Boston)

Nas duas primeiras noites partilhei quarto com 2 raparigas. Na 1ª noite, quando cheguei, fiquei apavorada (e quem me conhece sabe bem!!!!) porque deparei-me com o quarto todo desarrumado, com as malas delas todas abertas no chão, as camas desfeitas, as toalhas e as roupas espalhadas por todo o lado... Enfim... o caos. Vá lá que quando elas chegaram e me viram lá e conversamos um bocado, percebmos que afinal a culpa de toda aquela desarrumação não era só delas. Aparentemente o serviço de limpeza "é limitado"!! Fora isso, as raparigas depois foram respeitadoras e silenciosas e até nos tornamos amigas. Acho que os Hostels têm destas coisa!

Ora, já nas duas últimas noites as coisas não correram tão bem... Tive que mudar do quarto partilhado só com raparigas para um quarto misto, que de misto não tinha nada! Ao mudar-me para este quarto "misto", na minha 3ª noite, depois de um dia exausto, por volta das 18:30, encontro este senhor, com uma certa idade, já a dormir na sua cama. Acordou quando eu entrei. Fez-me imensas perguntas e avisou-me de que gostava de adormecer cedo e acordar cedo e que gostava de dormir com as persianas abertas. Ali fiquei, respeitosamente, a fazer alguns planos para o dia seguinte até me dar o sono. O senhor ressonava... e muito... Valeu-me os tampões dos ouvidos que trago sempre comigo =)! Eram umas 3 da manhã quando um jovem resolveu entrar pelo quarto dentro, podre de bebedo, a tresandar a alcool. Começa a tropeçar nas nossas malas, faz um barulhão, resmunga com ele próprio e tem sérias dificuldades em subir para a parte de cima do beliche. O senhor, que já dormia há horas acorda, resmunga também, mas o jovem não lhe passa cartão nenhum e aterra na sua cama com roupa e tudo e começa a ressonar.... TAMBÉM!!!!
Àa 5 da manhã o sol espreita, há luz lá fora e o senhor de idade acorda. E sem exagerar, entra e sai do quarto umas 7/8 vezes... A questão que se coloca é: são os mais jovens que desrespeitam os mais velhos ou vice-versa?

Bem, na noite seguinte, o senhor de idade permaneceu ali, mas o nosso companheiro de quarto (mais um homem sim, daí o conceito de "quarto misto" não ser muito adequado) era ainda mais estranho (segundo o senhor de idade). Nesse dia evitei ir para o quarto cedo, entreti-me a lavar e a secar roupa na lavandaria do Hostel (1,75$ em moedas de 0,25 para lavar e igual para secar). O tipo novo pareceu-me bastante normal, calado e decente, mas como andava feito barata tonta sempre a entrar e a sir do quarto e não deixava o senhor de idade dormir, este resmungou com ele, queixou-se a mim... enfim... tive que por ordem naquilo, intervi e numa atitude apaziguadora consegui convencer as crianças de que o melhor era cada um sossegar e dormir. E assim foi.

De resto, nada mais a dizer, o pequeno almoço neste Hostel é razoável, tinha leite, café, chá, cereais, fruta, pão e bolos. Dava para "roubar" para o lanche da manhã! O gerente do hostel, o Jules, também foi impecável, simpático e atencioso, mostrou-se sempre preocupado com o bem estar dos hospedes, e até me deu um aloquete para eu guardar uma das malas num armário. Ficamos amigos e vamos sair para beber um copo um dia destes. Lá está, embora se consiga fazer um bom trabalho num Hostel, não se consegue controlar tudo!

Senhor de idade no Hostel Fenway Inn.

terça-feira, 8 de novembro de 2016

Chegada e primeiro dia em Boston

Acordamos (eu, a minha irmã, o Sérgio, o Rui e o Duarte - USA road team) na manhã de segunda-feira, dia 31 de Outubro e fomos tomar o pequeno almoço tipicamente americano em Allston, no Steve's Kitchen (especialistas em comida grega). Um lugar pequenino, gerido por uma senhora já com a sua idade, mas amorosa... De grego o pequeno almoço não tinha nada... as opções eram todas bastante americanas (ovos, panquecas, café, batatas...). De estranho este lugar só tinha o facto de ter que se passar por dentro da cozinha, descer as escadas, percorrer todo um armazém, para se chegar à casa de banho! Mas a comida era boa.

Steve's Kitchen, Allston, Boston
De seguida fomos dar uma volta de carro pelo centro da cidade para fazer um "reconhecimento de campo". Foi amor à primeira vista pela cidade. Decidi então que ía começar a ver a série Boston Legal (já o devia ter feito antes...). 

Boston da Harvard Bridge.
Boston Common Park.
Yahhhh, a minha irmã dedicou-me este video.....

Depois disto, a malta levou-me para deixar as malas no Hostel (no próximo post falarei dele), deixaram-me de seguida na entrada do Massachussets General Hospital (MGH) e seguiu rumo a Nova Iorque. 

Na entrada do MGH a despedir-me da minha irmã ("Boston take care of her" - she said).

Entregue aos lobos pelo Sérgio Vide =)
Neste mesmo dia de tarde, ainda fui ao Charlstown Navy Yard (meu local permanente de trabalho) conhecer as instalações, os colegas, etc etc, Todos incriveis e simpáticos! Conheci a Rose, que é a secretária do Patrick, a Emily, a Devika, o Chris e a Pegah. O local é acolhedor e confortável e tem todas as condições. E as vistas são fantásticas, 
Purdon's Lab no 156, 13rd st, Charlestown Navy Yard.

Vistas do Laboratório.
Mais tarde neste dia ainda me encontrei no MIT com o Patrick Purdon para falarmos um pouco sobre a minha vinda e dos trabalhos. Foi uma reunião super informal e ele ainda me acompanhou até à estação de autocarros. Muito simpático e agradavel e é o meu orientador cá. Em Portugal isto não acontece pois não?  



segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Entrevista na Embaixada Americana em Lisboa

A minha experiência pela Embaixada não foi assim muito encantadora. Não nos dizem quanto tempo é que vai demorar até o Visto chegar... Ora be, eu tinha viagem para os EUA marcada para dia 19 de Outubro (obrigatoriamente, porque tinha que estar presente na conferência da ASA) e a entrevista na Embaixada foi marcada no dia 13 de Outubro...

Mas antes da entrevista....

Etapas necessárias para pedir um visto para viajar para os EUA:
  1. Determine o tipo de visto necessário para viajar para os Estados Unidos. Pode encontrar informação acerca dos tipos de Visto em https://travel.state.gov/content/travel/en.html.
  2. Preencha o formulário DS-160, que se encontra online , para iniciar o seu pedido de visto. O DS-160 é um formulário online do Governo dos EUA e só pode ser preenchido em https://ceac.state.gov/CEAC. Cada candidato tem que preencher este formulário antes de usar quaisquer serviços neste site.
  3. Volte ao site https://ais.usvisa-info.com/pt-pt/niv e complete as seguintes etapas para poder agendar uma entrevista na Secção Consular:


    • Crie uma conta de utilizador
    • Insira o número de confirmação do DS-160 para cada candidato que está a solicitar o Visto
    • Complete o processo de devolução de documentos através de correio
    • Pague o(s) Emolumento(s) do pedido de Visto de Não Imigrante (MRV)
    • Agende uma entrevista na Secção Consular



      4. Compareça na data agendada na Secção Consular.
      5. Após a entrevista na Secção Consular, use este site https://ais.usvisa-info.com/pt-pt/niv para verificar a situação do seu visto e como se encontra a entrega.

Em termos práticos, o que me aconteceu foi: o meu Visto é do tipo J-1, portanto, tive que preencher o DS-160. Entretanto, o MGH em Boston também teve que preencher uma série de papelada e enviar-me por mail (tive que pagar 54$ para que me enviassem os papéis). Outra coisa que tive de pagar foi o SEVIS I-901, total 180$. Para obter estes papéis tive que enviar, carta do orientador do MGH, provas bancárias de como me conseguia sustentar cá, CV e plano de trabalhos.

Depois para marcar a entrevista na Embaixada é outro filme!!! É online, mas tem que se criar uma conta e já ter a papelada toda. Os horários permitidos de marcação é das 9h00 às 12h00. Dica: marcar o mais cedo possivel para não se ficar lá toda a manhã à espera. Outra dica: o passaporte fica na Embaixada até se receber o Visto (e o passaporte vem junto). E pode demorar até 8 dias úteis a chegar. Quando se agenda a entrevista online, escolhe-se onde se quer receber o Visto. No meu caso, escolhi uns correios do Porto. 

Mas continuando, cheguei à Embaixada, fui revistada, deixei tudo excepto papeis com o Segurança da entrada. Mal cheguei à sala da entrevista, fui logo atendida por um senhor simpático cuja filha também tinha concorrido para uma Bolsa da FCT e cujos resultados deste ano ainda não tinahm saído... demorei 10 minutos com esse senhor, só para verificar que tinha levado toda a documentação necessária comigo. As restantes 3 horas passei-as sentada numa cadeira à espera porque fui a última a ser entrevistada... 
A entrevista demora 3 minutos, é com uma senhora que fala inglês e que faz perguntas banais, tais como "o que vais fazer para os estados unidos" e "quanto tempo lá vais ficar".

O meu Visto chegou ao Porto passados 3 dias úteis e eu consegui embarcar no dia 19 de Outubro sem qualquer problema.

Embarque no dia 19 de Outubro.



Como e porquê Boston?

Decidi que queria viver nos EUA há muito tempo, em criança... mas não queria viver permanentemente nos EUA, daí ter decidido fazer um estágio cá.

Tenho 32 anos e sou aluna do Programa Doutoral em Engenharia Biomédica na FEUP e bolseira FCT. A minha tese é na área da Anestesia e portanto, muitos dos trabalhos são desenvolvidos no Hospital de Santo António.

Tudo aconteceu porque no ano passado, eu, os meus super visores e alguns elementos duma equipa fantástica de investigadores (Anestesistas e Engenheiros) da qual eu tenho orgulho em pertencer, fomos à maior conferência anual americana de anestesiologia, a ASA, que se realizou em San Diego, California. Tive o privilégio de conhecer o Patrick Purdon (que irá ser o meu supervisor em Boston) pessoalmente. Identifiquei-me logo com os seus trabalhos e pensei que ir para Harvard seria uma boa ideia. Quando regressamos a Portugal, eu manifestei interesse em fazer um estágio com o Patrick e o Dr. Pedro Amorim começou de imediato a entrar em contacto com ele.
Depois de alguns mails trocados, tive a feliz notícia de que seria muito bem recebida em Boston, no Massachussets General Hospital, no Departamento de Anestesiologia, pelo Patrick Purdon e pelo ilustre Dr. Emery Brown. Os trabalhos que eles desenvolvem estão relacionados com o meu projecto e portanto, só tenho coisas boas para aprender,


Está previsto eu ficar por Boston 6 meses.

Dra. Catarina Nunes, PhD
Dr. Pedro Amorim, MD
Eu 
Patrick Purdon, PhD



Emery Brown, MD